sexta-feira, 16 de abril de 2021

Tempo do luto

Eu ainda posso sentir o cheiro,
Fecho os olhos ainda vejo
E ainda escuto os gemidos de agonia.
Sinto cheiro de hospital e vejo os longos corredores, os leitos, os choros e gritos de dor... 
O dia que te enterrei era cinza e chovia, uma chuva fina que quase não se via, como se a natureza também se entristecesse.
As flores e seu cheiro de morte.
Senti sua pele gelada num último beijo, talvez só aí tenha de fato entendido que a morte te roubou de mim.
Não chorei de imediato, mas hoje o choro é constante. 
Tá tudo aqui ainda. Em um luto sem fim.
O luto tem um tempo diferente para cada um. Meses? Anos? Eu não sei para mim.
Como continuar?
Já tentei me afogar em bebida, em remédios para anestesiar, nada adiantou...
Só me afundei ainda mais.
Eu devia ter me atirado naquele buraco quando o caixão desceu. Eu devia, devia!
Gil Monteiro
 

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